Olá, meu nome é Fabiana Beltrame e eu fui atleta durante 19 anos de minha vida, dos 15 aos 34 anos. Durante esse tempo, vivi o remo praticamente 24 horas por dia. Quando não estava treinando, estava comendo ou descansando para o treino seguinte. Essa foi a minha vida e eu amava. Amava a sensação de fazer meu barco ir cada vez mais rápido, amava a sensação de dar o meu máximo em cada remada e amava ainda mais a emoção de subir ao pódio, especialmente no lugar mais alto.

Mas em 2016, decidi me aposentar, não por que não gostasse mais de remar. Remar é um esporte maravilhoso, o melhor que conheço. Mas por que gostaria de fazer outras coisas que a vida de atleta não era possível, como viajar com a família sem me preocupar em treinar ou ganhar peso. Também queria ter outro filho e poder curtir mais os primeiros anos de vida dele.

Então em novembro de 2016, competi minha última regata. Foi um misto de emoções difíceis de decifrar, uma mistura de dever cumprido, de alívio, de liberdade, mas também um pouco de tristeza, luto, e saudades de tudo o que eu tinha vivido.

Os três meses que se seguiram após a minha aposentadoria foram de pura curtição, as tão sonhadas férias que há muito tempo eu não tinha. Muita praia, shows e churrascos com os amigos. Mas então o tempo foi passando e eu fui me sentindo cada vez mais perdida. O remo era meu chão, era tudo o que eu tinha e de uma hora pra outra eu não tinha mais um sonho que me fizesse acordar todos os dias de manhã.

E então, eu, meu marido e dois amigos, resolvemos abrir um box de CrossFit. Parecia ser uma ótima ideia, a modalidade estava em alta e eu gostava de praticar também. Deu certo por um tempo e me manteve ocupada desde o projeto até algum tempo depois da abertura. Mas algum tempo depois, percebi que não era o que eu queria e acabei saindo da sociedade. Mais uma lição que a vida me ensinou, nunca siga o sonho de outra pessoa, tenha o seu sonho muito claro na cabeça, por que as chances de não dar certo são muito menores.

Estava mais uma vez sem chão. Seguia com minha vida em família, tive mais um filho que me manteve bem ocupada e consegui curtir bastante meu bebê, mais ainda não estava completa. Queria retribuir de alguma forma o que a vida me deu, todos os desafios e medalhas não poderiam ser em vão. Até que fui convidada para dar uma palestra na abertura de um congresso. Já tinha dado algumas palestras gratuitas sobre a minha carreira logo depois que parei de remar, mas essa seria diferente, fui contratada para falar sobre minha carreira para um monte de médicos. Aceitei o convite a comecei a me preparar, como me preparava para uma competição, com muito treino, cursos e estudo.

No dia da apresentação, senti o mesmo frio na barriga que sentia antes das regatas. Falar em público nunca foi meu forte, mas cheguei lá e fiz o que tinha treinado, assim como no esporte. E logo depois, recebi a minha medalha de ouro, o aplauso e o agradecimento da plateia, o depoimento de várias pessoas que se sentiram mais motivadas e inspiradas pela minha história. E naquele momento, descobri uma nova paixão, um novo sonho, ajudar as pessoas a irem atrás dos seus sonhos.